se um dia me perguntassem "Você conhece Jesus"
eu diria simplesmente: Tenho até uma foto com Ele!
8 de julho de 2012
serviu.
não sei se vou falar grego agora, mas já houve um alguém, despretensioso, desligado de qualquer conotação carnal, que te disse, no bom e velho português, num diálogo vivo, sem o intermédio da tecnologia: EU TE ADORO, SABIA?
a história é simples.
um domingo longe de ser destaque na memória.
um dia frio tal qual conversa de elevador.
uma noite destrinchada em desânimo pelo dever-fazer irritante.
um diálogo inconsequentemente trivial acerca do movimento circular de rotação da Terra.
uma constatação de carinho.
sem "alô" o sorriso vem: largo e sincero como você não achou que iria acontecer até o término desse dia meia boca.
é quando a vida volta a ser boca inteira.
o abraço se fez palavra e repousa no ombro do ouvido pra tardar a sair.
por favor, que sua presença volte sempre.
a história é simples.
um domingo longe de ser destaque na memória.
um dia frio tal qual conversa de elevador.
uma noite destrinchada em desânimo pelo dever-fazer irritante.
um diálogo inconsequentemente trivial acerca do movimento circular de rotação da Terra.
uma constatação de carinho.
sem "alô" o sorriso vem: largo e sincero como você não achou que iria acontecer até o término desse dia meia boca.
é quando a vida volta a ser boca inteira.
o abraço se fez palavra e repousa no ombro do ouvido pra tardar a sair.
por favor, que sua presença volte sempre.
29 de junho de 2012
15 de junho de 2012
12 de junho de 2012
Patologia.
Eu tive que procurar um médico.
- Doutor, estou doente. Me ajuda.
- O que você tem?
- Saudade.
Eu mesmo me diagnostiquei mas não consegui curar.
Existe um pulsar diferente no meu sangue que suponho ser um pouco mais intenso aqui do que em qualquer outro canto. Sabe aquilo que falam da paixão? Arrebatadora, implacável, sem hora, sem licença... Meu organismo preferiu sentir isso com a tal da saudade.
Não tenho saudade de pessoas. De maneira alguma... Eu tenho rede social e uns versos pré-cozidos pra colar em murais desavisados.
Meu problema é com o momento.
O momento me tira o sossego. Ele me faz querer um chocolate que não fabricam, uma cerveja que não existe, um perfume que não encontraram. É uma vontade de não-sei-o-que que não há telefonema que resolva.
Tentei me apegar desesperadamente na fotografia. Tentei colocar na imagem o sabor do momento, o cheiro do momento, o sorriso do momento, o extase do momento, a simplicidade do momento... mas não coube. Não encaixa.
Eu não sei o que fazer com o momento. Ele é cigano, não estaciona. Sempre vai. Só vai sem olhar.
Sou só eu quem olha.
Quisera eu ter tido o livre arbítrio de não conhecer a palavra saudade. Quem sabe assim o sentimento fosse irrisório, sem fundamento, sem noção cognitiva.
Mas eu adoeci de saudade.
- Doutor, estou doente. Me ajuda.
- O que você tem?
- Saudade.
Eu mesmo me diagnostiquei mas não consegui curar.
Existe um pulsar diferente no meu sangue que suponho ser um pouco mais intenso aqui do que em qualquer outro canto. Sabe aquilo que falam da paixão? Arrebatadora, implacável, sem hora, sem licença... Meu organismo preferiu sentir isso com a tal da saudade.
Não tenho saudade de pessoas. De maneira alguma... Eu tenho rede social e uns versos pré-cozidos pra colar em murais desavisados.
Meu problema é com o momento.
O momento me tira o sossego. Ele me faz querer um chocolate que não fabricam, uma cerveja que não existe, um perfume que não encontraram. É uma vontade de não-sei-o-que que não há telefonema que resolva.
Tentei me apegar desesperadamente na fotografia. Tentei colocar na imagem o sabor do momento, o cheiro do momento, o sorriso do momento, o extase do momento, a simplicidade do momento... mas não coube. Não encaixa.
Eu não sei o que fazer com o momento. Ele é cigano, não estaciona. Sempre vai. Só vai sem olhar.
Sou só eu quem olha.
Quisera eu ter tido o livre arbítrio de não conhecer a palavra saudade. Quem sabe assim o sentimento fosse irrisório, sem fundamento, sem noção cognitiva.
Mas eu adoeci de saudade.
5 de abril de 2012
4 de fevereiro de 2012
Mas cara do que?
To livre.
Tal livro.
Tal larva.
Leve tal vulto.
Tal vela, livro a vista em volta.
Larva de livro livre na lira.
Volto. Visto a veste e vou.
Vida.
Tal livro.
Tal larva.
Leve tal vulto.
Tal vela, livro a vista em volta.
Larva de livro livre na lira.
Volto. Visto a veste e vou.
Vida.
"De onde vem a canção"
Oxalá eu tivesse peito pra usar a metalinguagem. Tenho três pés atrás com a palavra.
Não quero falar mal de ninguém, quem dirá pelas costas, mas a palavra é musculosa. Ela subjuga. Não dá tempo pra pensar.
Eu temo a palavra, confesso a fraqueza minha.
Longe de acreditar em teorias da conspiração, não quero impor uma imagem tirânica da palavra.
Mas eu prefiro não tocar na pá. Lavra.
Não quero falar mal de ninguém, quem dirá pelas costas, mas a palavra é musculosa. Ela subjuga. Não dá tempo pra pensar.
Eu temo a palavra, confesso a fraqueza minha.
Longe de acreditar em teorias da conspiração, não quero impor uma imagem tirânica da palavra.
Mas eu prefiro não tocar na pá. Lavra.
9 de janeiro de 2012
pró.xi.mo
Tive um encontro comigo mesmo, na esquina daquela virada de ano.
Não me reconheci.
Ali, face a face, consegui me descrever como PRÓXIMO.
Próximo aos meus companheiros. Ainda mais próximo, entretanto, aos adornos do meu quarto.
Sou o próximo da fila do banco das realizações. Entretanto, mais
próximo do suor do labor árduo, diário, cotidiano.
Estou próximo de largar tudo e seguir viagem. Mas a proximidade é
maior com a raiz genealógica do meu ser.
Próximo a um colapso existencial, talvez. Mais próximo ainda de um
colapso de gargalhadas.
Próximo, bem próximo da morte. Mas agarrado, bem agarrado à vida.
Não me reconheci.
Ali, face a face, consegui me descrever como PRÓXIMO.
Próximo aos meus companheiros. Ainda mais próximo, entretanto, aos adornos do meu quarto.
Sou o próximo da fila do banco das realizações. Entretanto, mais
próximo do suor do labor árduo, diário, cotidiano.
Estou próximo de largar tudo e seguir viagem. Mas a proximidade é
maior com a raiz genealógica do meu ser.
Próximo a um colapso existencial, talvez. Mais próximo ainda de um
colapso de gargalhadas.
Próximo, bem próximo da morte. Mas agarrado, bem agarrado à vida.
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